Especialista explica como experiências significativas com livros e histórias ajudam a formar leitores mais curiosos e autônomos desde a primeira infância
Muito antes de aprender a juntar sílabas, muitas crianças já reconhecem o próprio nome, identificam palavras em placas, embalagens ou capas de livros. Esse contato precoce com a linguagem escrita faz parte do desenvolvimento infantil e pode ser um importante aliado no processo de alfabetização quando a leitura é apresentada de forma prazerosa e conectada ao cotidiano.
O interesse pela leitura começa a ser construído antes mesmo da alfabetização formal. Mais do que aprender letras e sílabas, a criança precisa compreender que ler é uma forma de comunicar, descobrir, brincar e entender o mundo ao seu redor.
“Quando a leitura faz sentido para a criança, ela deixa de ser apenas uma habilidade que precisa ser aprendida e passa a ser uma ferramenta de descoberta. Esse envolvimento torna o processo de alfabetização mais natural e significativo”, afirma Thaynara Souza, diretora do Colégio Sigma, em Brasília.
Uma das abordagens que trabalham esse princípio é o método global de alfabetização, também conhecido como método analítico. Nele, a criança tem contato com palavras, frases e textos completos antes de aprofundar o estudo das letras e das sílabas, estabelecendo primeiro uma relação de significado com a linguagem escrita.
Na primeira infância, pequenas experiências do dia a dia ajudam a desenvolver a curiosidade e a ampliar o repertório linguístico. Ouvir histórias, observar placas durante um passeio, identificar o próprio nome ou folhear livros ilustrados são situações que mostram à criança que a escrita faz parte da vida.
“A alfabetização não começa apenas quando a criança aprende as letras. Ela começa quando percebe que a leitura e a escrita servem para comunicar ideias, registrar informações e participar das relações do dia a dia”, explica Thaynara.
Segundo a especialista, reconhecer o próprio nome, identificar palavras em placas, acompanhar uma receita ou observar um adulto lendo uma história são experiências que ajudam a criança a compreender que a escrita tem uma função social e faz parte da vida cotidiana.
Diferentes estratégias na alfabetização
Nos últimos anos, o debate sobre alfabetização colocou diferentes métodos em evidência. Enquanto algumas abordagens priorizam a compreensão de palavras e textos com significado, outras enfatizam o desenvolvimento da consciência fonológica e da relação entre sons e letras.
Para a especialista, mais importante do que escolher um único caminho é garantir que a criança tenha oportunidades de desenvolver diferentes habilidades de leitura e escrita ao longo do processo.
“Cada criança aprende de uma forma e em um ritmo próprio. O essencial é oferecer experiências de leitura que despertem a curiosidade, incentivem a reflexão e deem significado ao aprendizado.”
Como incentivar a leitura em casa
A família também tem um papel importante na formação do leitor. Algumas atitudes simples podem fortalecer o vínculo da criança com os livros e tornar a leitura parte da rotina.
Leia histórias diariamente, mesmo que por poucos minutos.
Converse sobre os personagens, as imagens e o que aconteceu na narrativa.
Deixe livros ao alcance da criança para que ela possa explorá-los livremente.
Valorize as tentativas de escrita, sem exigir perfeição.
Mostre que a leitura está presente no cotidiano, em receitas, placas, listas de compras, embalagens e jogos.
Respeite os interesses da criança na hora de escolher os livros, tornando esse momento prazeroso.
Criar um ambiente em que a leitura faz parte das experiências diárias ajuda a desenvolver não apenas a alfabetização, mas também a criatividade, a imaginação, a comunicação e o pensamento crítico. Mais do que aprender a decodificar palavras, a criança passa a compreender que ler é uma forma de interpretar o mundo e construir conhecimento.
“Nosso objetivo é formar leitores que compreendam, questionem e utilizem a leitura com autonomia ao longo da vida. Esse processo começa muito antes da alfabetização formal e é construído nas pequenas experiências do dia a dia”, conclui Thaynara Souza.
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